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Monthly Dharma Thoughts

Budismo Shin – Shinran e Jodo Shinshu –

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Prof. Hisao Inagaki

 

IX

 

              Shinran é frequentemente comparado a Martinho Lutero (1483-1546), e descrito como um renovador do Budismo, do mesmo modo como Lutero o é no Cristianismo. Shinran , entretanto, não se opôs abertamente à autoridade eclesiástica nem intencionou começar um novo movimento. Como Honen e outros mestres da Terra Pura, a preocupação imediata de Shinran era a sua própria salvação, que haveria de ser plenamente realizada na Terra Pura. A este respeito, sua abordagem pode ser descrita como “autocentrada” e “relativa a outro mundo”. Mas notemos que o seu autocentramento não equivale a egoísmo. Pois, através da aceitação da compaixão de Amida ele se deparou com a intimidade nos relacionamentos cármicos com outros seres e compreendeu ainda que, após transcender este mundo, isto é, indo para a Terra Pura, ele poderia voltar e salvar outros seres como desejasse.

 

              A profunda auto-reflexão de Shinran e seu insight sobre a leit de salvação de Amida ocasionaram uma reversão completa do senso comum e dos conceitos budistas comuns. No mais popular texto budista, o Tannisho: Tratado de Lamentação das Divergências, Shinran é citado dizendo:


              “Se até uma pessoa boa consegue nascer na Terra Pura, muito mais o poderá uma pessoa má”. Entretanto, costuma-se dizer: “Se até uma pessoa má consegue nascer na Terra Pura, muito mais o poderá uma pessoa boa.” Normalmente, esta afirmação soa razoável, e no entanto, contraria a intenção do Voto Original do Outoro Poder. (Capítulo III)

 

              O Buda ensina que podemos atingir estados espirituais mais elevados através do bem moral e do cultivo de sabedoria através da meditação. Se formos incapazes de fazer o bem, estaremos destinados a estados inferiores de existência, onde haveremos de sofrer como retribuição por nossos atos errôneos. Apesar de Shinran ser de fato capaz de realizar atos moralmente bons, sua visão profunda penetrou na enorme massa de carma maléfico de seu inconsciente, e desta forma ele reconehceu todos os atos como enraizados no carma maléfico. Ele compreendeu que era irremediavelmente mau e que não possuía nenhum estoque de mérito que lhe valesse para atingir a salvação pelo seu próprio poder. O Tannisho destaca o que ele diz da seguinte maneira:

 

              “Como todas as práticas estão mesmo fora do meu alcance, o inferno seria em qualquer hipótese, a minha inevitável morada” (Capítulo II).

 

              Shinran não esperava, entretanto, desesperançado ou desesperado. Tampouco sentiu-se apartado da salvação de Amida. Sua compreensão da total impotência é uma prova inequívoca de que foi salvo por Amida. Ao receber através da Fé o mérito, a sabedoria e o poder ilimitado de Amida, ele pôde entregar-se a Amida, junto com seu apego ao seu poder limitado e seu estoque de mérito.

 

              A reinterpretação de Shinran dos ensinamentos budistas resulta de sua experiência de confiança completa no Poder de Amida que é chamado “o Outro Poder”. Ele dividiu o Budismo em dois: o ensinamento do Outro Poder e os ensinamentos do poder próprio. O Shin é totalmente baseado no Outro Poder, mas os outros caminhos budistas são baseados nos esforços individuais. Para San-tao e Honen, o Nembutsu era a prática para ser realizada pelos esforços derradeiros do indivíduo. Para Shinran, tudo que se requer é a atividade salvadora de Amida que deve ser recebida com sinceridade de coração e fé profunda; esta fé é também um presente de Amida.

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